sexta-feira, 29 de junho de 2007

O difícil agora é achar um nome de consenso

Coluna de Augusto Mafuz, hoje, na Tribuna:

Sobrevivente

O melhor para Onaireves Rolim de Moura é sair de cena.

O processo no STJD pode até ter sido iniciado por uma razão política, pois era inédito a Justiça Desportiva investigar o comportamento de dirigentes de uma federação.

Mas a decisão que o afastou, não o foi, passando bem longe do caráter político. Foi rigorosamente jurídica, baseada em provas de que a administração foi desviada para fins ilícitos. Nada que surpreenda, mesmo inédita, em razão de que o STJD tem no comando Rubens Aprobato Machado, que antes de ser exaltado como jurista, deve ser recomendado como uma pessoa de bem.

O STJD fez o seu papel: de bandeja entregou a cabeça e a alma de Moura, rompendo a rede que manipulou interesses durante 22 anos.

E o que o futebol paranaense fará?

Não encontro nenhuma referência que sirva, pelo menos, como um princípio para a solução. É que qualquer posição que interesse ao Atlético, não interessa ao Coritiba e ao Paraná, como se o alcance do bem não fosse um interesse comum. Se houvesse uma associação de interesses, era a grande oportunidade do futebol paranaense inovar.

O futebol profissional seria desvinculado do futebol amador como ocorreu com a CBF, que foi o braço mais importante tirado da Confederação Brasileira de Desportos, a extinta CBD.

O consórcio de interesses neste momento seria mais relevante do que o nome do futuro presidente. Quando se tem um objetivo comum, a escolha de quem exercerá a representação se torna mais fácil. Tomem como exemplo a Federação Paulista de Futebol. Os clubes cansados de Farah escolheram por unanimidade Marco Polo Del Nero. O resultado está aí: vendem o campeonato paulista para a televisão por setenta milhões de reais. No próximo ano, serão 100 milhões.

O mais grave é que a desunião não é provocada pela rivalidade, mas por incursões pessoais. Giovani ignora Miranda, que acha Petraglia prepotente. Forma-se uma espiral de excessos: vaidade, orgulho e disputa pelo poder.

O único nome de consenso é o de Joel Malucelli.

Foi presidente do Coritiba, tem relação com o Atlético, ajuda o Paraná e é neutro em matéria desportiva em razão do J. Malucelli. Se não houver uma renúncia aos interesses individuais, não será surpresa se a cabeça de Moura pular da bandeja e sair correndo de volta ao Tarumã.

Não se pode desprezar o passado. Moura sempre sobreviveu.

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